terça-feira, 13 de julho de 2010

O Cinema Gaúcho perde um de seus melhores Fotógrafos

Texto de Marco Aurélio Barcellos publicado originalmente no jornal "RS Informação e Análise”, em agosto de 1993.



Foi na segunda-feira passada, dia 23, na Sala Eduarto Hirtz, na Casa de Cultura Mário Quintana. Em duas sessões, uma platéia que lotou a sala não cansou de aplaudir os filmes que Norberto Lubisco fotografou ao longo de seus 25 anos de carreira. Conheci Norberto quando ele tinha 17 anos, e durante todos esses anos, às vezes sem vê-lo durante muito tempo, acompanhei o seu trabalho sempre realizado com muito talento e grande modéstia.

Embora não falasse muito, ele tinha uma personalidade forte e suas opiniões eram mais ou menos definitivas sobre as coisas, mas não me lembro uma só vez, de um gesto seu de vaidade, de presunção ou de auto-elogio em relação ao que fazia. E ele era dos melhores. No Rio ou em São Paulo teria se consagrado como diretor de fotografia. Mas como muitos teimosos e abnegados, preferiu ficar por aqui, onde sabedoria, sensibilidade e competência ao plano artístico, raramente são valorizados como convém.

Mas não morreu incógnito. Ao contrário, morreu executando o ofício que amou e dignificou. E teve seu trabalho reconhecido pelos prêmios que conquistou em Gramado e em outros festivais. E pelo que se viu na tela na segunda-feira passada, mesmo através de filmes amarelecidos pela passagem irredutível do tempo, é um profissional que vai deixar saudades.

Muito magro e desde adolescente usando óculos de pesadas lentes, ele jamais se deixou vergar pelos ventos fortes das dificuldades, e enxergou muito além do que enxergam muitos de nós cuja visão é perfeita. Um perfeccionista que estabeleceu com a fotografia do cinema uma relação afetiva indestrutível. Um batalhador, um talento que se foi. Quem não o conhece direito, que assista ao seu último trabalho, o premonitório “Presságio”, Kikito de melhor fotografia de curtas no recente Festival de Gramado. Parabéns, Norberto. Foi o último e o mais belo dos teus trabalhos no cinema. E nós, que amamos o cinema, agradecemos.

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